A Biblioteca do hipertexto
"A Biblioteca de Babel", Jorge Luis Borges, é um conto que fala metaforicamente do universo. Ou então, poderia falar da internet e do hipertexto. por que não? Aliás, para Borges, é o universo, mas para os outros trata-se da Biblioteca.
Centro da Biblioteca
A Biblioteca, com relação a sua arquitetura, é "uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível". Andei lendo por ai que se analissásemos profundamente essa afirmação a conclusão seria de que: "para termos toda a biblioteca a nossa disposição bastaria estarmos dentro de um dos hexágonos, não interessa qual". E por isso, a biblioteca não existiria, caso contrário, seríamos deuses onipresentes.
Eu, na simplicidade do meu pensamento, prefiro relacionar os centros da biblioteca à mobilidade dos centros do hipertexto. pois, com ele também não há centro e, se houver, o centro que existir é modificado pelo comportamento dos usuários.
A multilinearidade
Sem dúvida a questão mais interessante levantada por Borges é, ainda que acidentalmente, sobre a multilinearidade da do hipertexto. "A Biblioteca é o total e suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos (número, ainda que vastíssimo, não infinito)". Deste modo, Borges segue a linha multilinear. Pois, se todos os livros já estão escritos só resta ao leitor escolher qual será lido primeiro, segundo etc. Sendo assim, existe na Biblioteca o "catálogo dos catálogos", que seria uma espécie de Google muito melhorado, que aponta o nome de todos os livros existentes. ou seja, o caminho já está traçado, só esperando ser percorrido.
Links
e o que dizer das "letras no dorso de cada livro" que não seja a sua relação com os links? Borges reclama que essas letras não dão a verdadeira noção do conteúdo dos livros. E exprime isso usando a palavra "inconexão". Existe uma relação com os links de Lèvy, na qual os títulos são os hiperlinks e nesse caso, um link quebrado, que vai para um lugar inesperado pelo usuário.
Na Biblioteca costumava-se dedicar algum tempo à interpretação de livros "disformes e caóticos". Como aquele que repete as letras MCV em todas as páginas até chegar na penúltima com a seguinte inscrição: "Oh, tempo tuas pirâmides". Já acho que perdeu tempo quem parou para examinar cada folha do livro. Agora, ninguém perde tempo com coisas de qualidade duvidosa. os links só levam para lugares que realmente façam sentido para alguém e o que não faz é esquecido e não é linkado por ninguém.
Os outros
Borges vai e volta sobre algumas questões como a (in)finitude da Biblioteca, a (des)ordem dos seus livros. Além disso, ele fala bastante sobre "os outros". Provavelmente outros bibliotecários como ele e que, normalmente, discordam do seu ponto de vista sobre a Biblioteca. Ou seja, assim como ela, a internet é muita vasta e possui muitos usuários com idéias deierenes sobre ela. O que Borges nos apresentou foi apenas um dos modos de pensá-la.
Marcadores: hipertexto

1 Comentários:
Ótima análise! :)
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial